no meu carro procuro no bolso
olhos na estrada
minha carteira
na minha mente procuro na sua gaveta
olhos na estrada
sua buceta.
alta velocidade lembra trepar.
dependendo do seu humor, você goza.
e a coisa segue:
eu também gozo contigo
sobre rodas
mão entre minhas pernas
olhos na estrada
e o fim de tudo: sexo.

minha mente:
uma criança preferida tem mais liberdade de seus pais
um hipocampo, mais liberdade que o cavalo e golfinho
uma hipopótamo, mais liberdade de suas pernas curtas
e focinho
que meu hipotálamo de luxúria
e o fim de tudo: sexo.

minha idade?
os anos que perdi?
as mulheres com quem não tive chance?
uma velha amante é doce e boa.
uma velha amiga surpreendente e familiar.
todos os corpos possibilidades.
qualquer corpo.
luxúria, a causa de todo tributo e transação
para o fim de tudo: sexo.

trabalhar até o fim do dia
falar até o fim da fala
correr até o fim da noite
pra ter no fim disso tudo: sexo.

o desejo por pra sempre
por mais vezes
por mais.

as promessas
a absurdez
o melodrama
a humilhação
a barganha
a tristeza depois.

em querência desperta
em esperância desperta.

(publicado em “the days of good looks: the prose and poetry of cheryl clarke, 1980 to 2005”, nova iorque: carroll & graf, 2006)

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